por Francisco Thiago Vasconcelos (encontrado no X em @chicotxago e disponível aqui)

[Nota do site: este texto é descrito como apenas um rascunho]


Seguem abaixo observações esquemáticas, baseadas em leituras e observação nos últimos meses, sobre como o Nova Resistência deve ser visto como um tipo sui generis de direita, ou mesmo um tipo essencial de direita, e não de esquerda.

São ideias-rascunho, na forma de esquema/síntese. As referências seguem ao final.

OBJETIVOS DO NOVA RESISTENCIA

Objetivo permanente, para além das conjunturas: criar uma rede de influência no campo das ideias – publicações, editoras, redes sociais – e um núcleo de intelectuais e militantes – um projeto de elite ou “aristocratas de espírito”

Objetivo tático: angariar influência político-partidária, sobretudo junto a camadas e setores estratégicos, como é o caso da intelectualidade universitária e das Forças Armadas; Conquistar o nacionalismo e o trabalhismo no Brasil através de um discurso anti-imperialista, iliberal e não marxista;

Converter o nacionalismo e o trabalhismo para os objetivos da “nova direita”, a “verdadeira direita” ou a “direita Tradicional”.

Conquistar o nacionalismo e o trabalhismo no Brasil através de um discurso anti-imperialista, iliberal e não marxista;

Converter o nacionalismo e o trabalhismo para os objetivos da “nova direita”, a “verdadeira direita” ou a “direita Tradicional”.

Como todo sistema de ideias que toma de empréstimo conceitos de diferentes correntes políticas, mesmo opostas, é preciso diferenciar aquilo que é essencial, e que constitui seu núcleo duro e projeto, do que é acessório.

IDEIAS ESSENCIAIS:

Afastamento do conservadorismo: contrários ao princípio da conservação das instituições, promovem ideias de mudança radical, mesmo que fundadas em valores ditos conservadores no campo moral ou em imagens reacionárias de sociedade.

Afastamento do liberalismo: democracia, universalismo e individualismo são problemas de uma sociedade decadente, de massas, de indivíduos atomizados, de identidades fraturadas que, a caminhar nesse sentido, terá um desfecho na forma de algum cataclisma – guerras e desastres

Afastamento da extrema-direita convencional: o movimento busca se afastar das visões mais correntes da extrema-direita (nacionalismo chauvinista, culto à violência, antiintelectualismo, nostalgia do fascismo, do nazismo ou da ditadura militar de 64).

Em relação a isso, a oposição à Bolsonaro serve de “atestado” : “ora, se somos oposição à extrema-direita, como podemos ser de direita?”. Não à toa, uma das suas grandes confrontações é contra os apoiadores de Olavo de Carvalho, vide o debate entre Carvalho e Dugin.

Nazismo e fascismo? Não exatamente. O movimento não busca espelhar-se fielmente às ideias ou à estética nazista ou fascista – o antissemitismo e o racismo explicito são negados. Mas ele bebe de fontes intelectuais destes movimentos: a “revolução conservadora” e o Tradicionalismo

A “nova direita”, a “verdadeira direita” ou a “direita Tradicional”: o exemplo de Julius Evola, que buscava corrigir a sociedade moderna e os experimentos do nazismo e do fascismo, direcionando-os para a restauração de princípios anteriores à era dos nacionalismos…

[ Por sinal, é de Julius Evola a ideia de suprafascismo – ao negar ser fascista, pois nunca foi de fato oficialmente fascista (não integrou partido ou governo), afirmou ambiguamente que seria “suprafascista”…

ao mesmo tempo aquém e além do fascismo, como testemunham seus escritos críticos das experiências fascistas, ao mesmo tempo em que sempre buscou influenciar estas experiências, buscando direcioná-las de acordo com suas concepções. ]

É de Julius Evola a defesa da “restauração-projeção” de uma sociedade baseada na hierarquia político-religiosa: uma sociedade baseada em Impérios como federações semi-autonomas internamente e, externamente, como fronteiras de diferentes núcleos civilizacionais autônomos

Aleksandr Dugin trabalhará esse princípio na geopolítica, promovendo a ideia de um mundo multipolar - contra a unipolaridade imperialista dos povos atlanticas, a divisão do mundo entre diferentes de civilizações, a partir da reação das civilizações telúricas (Russia)

Civilizações africanas, ibero-americanas, asiática, russo-europeia (antigo projeto de unificação Russia-Alemanha) contra o Ocidente (Estados Unidos e Europa Ocidental)

Nação e comunidade étnica – O nacionalismo, nesse sentido, é a porta de entrada para unificação de civilizações, sob a liderança de comunidades étnicas que orientaram a formação destas diferentes civilizações.

Em parte, isto significa a retomada da antiga mitologia ariana, de uma sociedade superior originária, Tradicional, indo-europeia - que entrou em decadência com o passar dos tempos.

Não à toa, líderes do movimento retomam até mesmo as supostas “raízes célticas” do Brasil, a partir do intelectual acusado de nazista, refugiado na argentina de Peron, Jacques de Mailleu e seu “Os vikings no Brasil”

Mas, no Brasil, essa influência céltica teria sido filtrada/herdada pela tradição ibérica – são então retomadas as convencionais ideias de uma sociedade que triunfou nos trópicos baseada na mestiçagem, nos “heróis bandeirantes”, no catolicismo e nas tradições populares regionais

Na impossibilidade de assumir o identitarismo branco da direita europeia, utiliza-se de raízes históricas como influencia matriz do nosso “identitarismo moreno”

Lógica amigo/inimigo: a política para esse movimento é sempre orientada para a lógica do amigo/inimigo, que revela uma orientação se não militarista, uma disposição para a formação de um ethos guerreiro;

Globalismo: em uma releitura do complô judaico-capitalista, elegem como alvo a influência de George Soros, do liberalismo, e do identitarismo à esquerda (ou seja, críticas aos movimentos de gênero de raça.

IDEIAS ACESSÓRIAS

“Para salvar a nação somos até capazes de comunismo” – o comunismo e o socialismo são recursos não essenciais para salvaguardar a nação; ou seja, não há compromisso com a integridade de um projeto socialista ou comunista no sentido da superação do capitalismo

Uma concepção de socialismo e de comunismo emancipada do marxismo; partem da correta constatação de que Marx não é o inventor da “luta de classes” no pensamento político;

Eles repetem a crítica à sociedade burguesa feita por intelectuais aristocráticos, ao estilo de Oswald Spengler, do Declínio da Civilização Ocidental, e não no sentido igualitário e marxista. Trata-se de um projeto de socialismo autoritário, prussiano.

O Nacional-comunismo ou nacional-bolchevismo como exemplo histórico: Assim como para Dugin, grande parte daqueles que aderiram ao comunismo por influência da URSS são antes de tudo nacional-comunistas e não marxistas.

É nesse ponto que faz sentido a associação com o nacionalismo de um quadro histórico do PC do B, Aldo Rebelo.

No mesmo sentido, a crítica ao colonialismo, ao neocolonialismo e ao imperialismo reverberam o projeto de criação de supostas civilizações supostamente autônomas, mas situadas hierarquicamente uma em relação às outras.

Em suma, as ideias de esquerda – anti imperialismo; marxismo; crítica ao capitalismo e anti colonialismo - são acessórias.

A NR utiliza de “ideias de esquerda” para um projeto de direita: a construção de uma sociedade hierárquica com autoridade político-religiosa; uma sociedade com predomínio do princípio masculino, e da comunidade étnico-cultural sobre o individualismo e o mercado

REFERENCIAS:

Para isso, crucial é vender-se como “nem de esquerda, nem de direita”, criando assim um caminho de agregação e convergência no sentido de uma pretensa superação de pontos de vista parciais em uma visão Una e Integral.