por Pietro Castelli Gattinara, Caterina Froio, Matteo Albanese
Mudança política e a crise econômica na Europa
Existe relação entre o ativismo de organizações neofascistas e o desempenho econômico nacional? Existem estratégias especificas através das quais os grupos neofascistas constroem consenso em tempos de crise? As situações de crise influenciam o repertório de ação de grupo radicais e de extrema direita? Ao longo dos últimos anos, essas e outras questões similares reuniram a atenção de toda uma geração de cientistas sociais e historiadores. Ainda assim, os recentes desenvolvimentos da crise financeiras na Europa parecem oferecer um novo conjunto de oportunidades para o estudo desses fenômenos. 1
A "Eurocrise" não trouxe apenas mudanças sociais e econômicas, mas também uma reformulação fundamental da composição dos sistemas políticos dentro de cada um dos países arrastados pela crise. Os principais partidos que governaram durante os anos 90 e 2000 agora enfrentam uma progressiva e aparentemente inexorável impopularidade, e novos atores de várias origens estão ganhando apoio eleitoral e popular cada vez maiores. A Itália, "a economia mundial mais perigosa", não representa uma exceção nesse sentido. Dados sobre a crise econômica são na verdade bem diretos: a taxa de desemprego na Itália é de atualmente 13%, 5 pontos acima do que há três anos, e mais do que o dobro na Alemanha ou nos Países Baixos. Somado a isso, entreDezembro de 2007 e Março de 2012, o desemprego entre jovens subiu de 21,3% para 35,9%, enquanto que a taxa NEET italiana (a quantidade pessoas que Não estão em Educação, Emprego ou Treinamento), é a segunda maior do mundo, com uma pontuação de quase 20%. Em termos de desempenho econômico, finalmente, a taxa de crescimento do PIB real caiu para -2,4% em 2012. 234
De forma muito parecida como nos outros países P.I.I.G.S., além disso, as primeiras eleições da crise foram caracterizadas pelo fato de que quase um terço do eleitorado italiano apoiou um movimento político recém-nascido. Os eleitorados dos blocos tradicionais da política italiana, em outras palavras, se erodiram completamente pela crise de legitimação do sistema político italiano. Uma crise que começou no começo dos anos 90, evoluiu pelos 2000 e alcançou o clímax com a explosão da crise econômica.567
Apesar da consciência acadêmica de que tempos de tumulto econômico e social geralmente são acompanhados da emergência e crescimento de organizações políticas radicais, o estudo das organizações contemporâneas de extrema-direita em tempos de crise continua de certa forma subdesenvolvida. Pesquisas anteriores estabeleceram que há uma conexão entre crise econômica e a emergência do fascismo, e que a crítica do neoliberalismo e a economia de mercado constituem uma característica central dos grupos neofascistas. 89
Por um lado, isto esta relacionado com a experiência da Nouvelle Droite francesa, e com a crítica já bem conhecida de seus líderes ao pensamento econômico moderno, que acusam de "comercializar" a realidade existente. Por outro lado, tem a ver com o duradouro mito que diz respeito a "sociabilização através do fascismo", que caracterizou toda uma geração de ativistas pós fascistas na Itália, que reconheciam na experiência da República Social Italiana um modelo de sucesso do corporativismo e um projeto sociopolítico de construção de estado para além do liberalismo ocidental.101112
Pouca atenção, no entanto, foi dedicada a como as várias organizações sociais que populam a área da direita radical contemporânea estão respondendo às necessidades e exigências sociais que são geradas pela atual crise financeira. Que aparatos ideológicos e retóricos são mobilizados para poder oferecer uma interpretação neofascista da crise? Que tipo de anticapitalismo é proposto pelos atores e movimentos da direita radical? Que repertórios de ação são mobilizados para poder construir o consenso nessas circunstâncias?
Ademais, enquanto estudos sobre partidos políticos da direita radical estão se tornando cada vez mais elaborados e difusos, pouca pesquisa focou nos grupos que permanecem fora do espectro da política oficial. Neste texto, tentaremos preencher essa lacuna, convencidos de que é na dialética entre projetos políticos nacionais e políticas transnacionais que as formas mais inovadoras de organização e as reformulações mais originais das ideologias tradicionais acontecem. Em mais detalhe, este paper foca no caso da CasaPound Italia, uma das organizações mais visíveis da área de direita radical italiana. 13
O objetivo desse paper é traçar as raízes políticas e ideológicas do grupo e de seus militantes, ao mesmo tempo que focando na questão central sobre como as ideias e práticas do grupo são formuladas em tempos de crise financeira.. Vamos ilustrar que a crise internacional facilita a visibilidade pública e o desenvolvimento de movimentos como o CasaPound, porque oferece novo ímpeto para a sua interpretação social da realidade, e permite e legitima sua reconstrução seletiva da ideologia e história fascista. Diferente de outras organizações da direita radical na Europa Ocidental, que concentram suas atenções quase que exclusivamente nas questões pertinentes a chamada clivagem sociocultural de partidos políticos, vamos demonstrar que o conjunto das posições, ideias e práticas das políticas da CasaPound, giram em torno das áreas econômicas e sociais que estão fortemente inter-relacionadas com a crise e suas consequências. 14
Para conseguir alcançar esse objetivo, o restante desse paper é estruturado da seguinte forma. Primeiro introduziremos o modelo mais amplo desta pesquisa, focando na relação entre fascismo e crise econômica internacional. Então, descreveremos o estudo de caso e as fontes e métodos dessa pesquisa. Subsequentemente, analisaremos como a CasaPound interpreta a atual crise e como esse discurso é traduzido em repertórios de ação política. Em conclusão, discutimos os achados da nossa experiência etnográfica dentro da CasaPound e ressaltamos as vias promissoras para pesquisa relacionada aos grupos e movimentos neofascistas em tempos de crise.
Fascismo italiano, Neofascismo e a crise econômica internacional
O objetivo dessa brevíssima nota historiográfica é entender as conexões entre a CasaPound eo fascismo histórico, e discutir a herança dos movimentos neofascistas na ideologia do grupo. Focaremos, portanto, na interpretação da crise econômica que foi proposta primeiro pelo regime fascista, e mais tarde por grupos neofascistas, para ver como elas influenciaram o discurso e as práticas políticas da CasaPound. Sendo assim, esta seção não pode ser considerada produção literária sobre o fascismo e a crise, mas ao invés disso uma tentativa de contextualizar a CasaPound dentro família política mais ampla do fascismo e do neofascismo, cujas raízes e natureza ainda são fortemente discutida entre estudiosos.
Para facilitar o entendimento de um debate complexo e longo, podemos distinguir, por motivos de análise, duas tendências historiográficas principais. De um lado, estudos da escola marxista, afirmando que o fascismo originou primariamente da crise do sistema econômico do início do século. De outro lado, há uma linha de literatura sugerindo que o fascismo é o produto da desestabilização política do período após a guerra – e a crise subsequente – ao invés do resultado de uma conjuntura econômica específica. 1516
Quanto a primeira abordagem, a historiografia italiana salientou a crítica ao capitalismo desenvolvida dentro do fascismo italiano. A historiografia marxista põe mais ênfase no passado socialista de Mussolini como explicação para a interpretação fascista do capitalismo como um projeto imperialista de expansão, dividindo o mundo entre as plutocracias ricas e o resto das nações. Somado a isso, a historiografia marxista construiu a ideia das raízes econômicas do fascismo a partir da interpretação da relação entre fascismo (primeiro como movimento, depois como regime) eo sistema industrial italiano. Em particular, Tesca afirma que a ideologia fascista não era totalmente reacionária em si. Ao invés disso, no seu ponto de vista o movimento fascista se transformou em uma quando escolheu se pôr contra as organizações da classe trabalhadora. 171819
Focando nas "raízes econômicas" do fascismo, Kocka escreveu que "a suscetibilidade da nova classe média ao extremismo de direita não teria existido sem as mudanças, tensões e crises que acompanharam a criação de uma sociedade capitalista industrial".. A ideia básica aqui é que os valores pré-industriais tiveram de ser rearticulados à luz da emergente economia industrial capitalista, para a qual as classes médias europeias não estavam preparadas. Começando nos anos20, havia um acordo geral na crença que o fascismo emergiu do descontentamento da pequena burguesia ou das classes médias baixas. De acordo com Salvatorelli, na verdade, o fascismo "representou a luta de classes da pequena burguesia, espremida entre o capitalismo e o proletariado, como a terceira parte entre dois lados conflitantes". 2021
Complementar a essas interpretações, uma linha diferente de literatura associa a ascensão do regime fascista na Itália com a crise política do país, e com a virada cultural que caracterizou o início do século XX. De Felice e depois Gentile em particular, ressaltam a importância do nível político, ao invés do econômico, como uma explicação para a ascensão do fascismo italiano,salientando a crise de um sistema político cada vez mais incapaz de representar a sociedade de massas que emergia do período pós-Primeira Guerra Mundial. 222324
Essa perspectiva enfatiza a interação entre a "industrialização tardia" da Itália e sua predisposição para o intervencionismo do estado na economia e vida social do país. Em mais detalhes, o levante do fascismo teria a ver com a incumbência da "modernização", com um resultado onde seria particularmente atraente para "certos tipos de pessoas que se viam como perdedoras numa civilização moderna tecnológica [e que] rejeitavam o mundo industrial moderno" se refugiando em uma ideologia de um "antimodernismo utópico". Similarmente, Dahredorf explica a ascensão do fascismo italiano principalmente em termos de características da sociedade italiana, onde "as consequências de uma industrialização atrasada junto a ausência de uma revolução burguesa e a ausência de parlamentarização para formar freios decisivos na democratização política e emancipação social".2526
Focando nas origens "políticas" do fascismo, outros historiadores insistem nos efeitos do Biennio Rosso (em particular a insurgência das classes trabalhadoras). Eley argumenta que a ordem vigente italiana da época foi incapaz de responder não só às novas demandas das classes médias, mas também àquelas dos trabalhadores agricultores e as populações urbanas; não foi capaz de lidar com as ambições das organizações de massa que emergiam da classe trabalhadora industrial, e não conseguiu manejar os objetivos da pequena burguesia cada vez mais interessada em um novo status de trabalho profissional. Nesse contexto, as reivindicações por união nacional e nacionalismo radical se tornaram rapidamente populares, frente a frente com a incapacidade estrutural da então classe dominante em enfrentar a mobilização popular e manter a coesão social. Nesse sentido, o fascismo pode ser entendido como um projeto ideológico contrarrevolucionário, nacionalista, dedicado a reconstrução e a manutenção da coesão e da ordem social. 2728
A interpretação dupla das origens do fascismo ajuda a entender o discurso político daCasaPound. A sua forma de encarar a crise, na verdade, remonta não só a crítica às distorções do sistema capitalista (aquele de orientação de mercado), mas também se constrói da crise no sistema partidário italiano, a corrupção dos poderes estabelecidos italianos e a falta de representatividade dos setores da população que mais sofrem a crise.
Ao mesmo tempo, no entanto, não é possível lidar com o entendimento da CasaPound do fascismo e da crise econômica sem levar em consideração a longa e complexa história dos grupos fascistas e partidos que emergiram depois do fim da guerra. Da mesma forma, observaremos aqui a seleção estratégica de ideias que a CasaPound leva adiante no que diz respeito a experiência do neofascismo italiano e europeu, e discutiremos quais noções são mantidas e usadas para construir sua identidade política. Em particular, destacaremos três conceitos principais que conectam aCasaPound a três diferentes tendências de neofascismo: a destra sociale, o espiritualismo da Ordine Nuovo e a tradição da Nouvelle Droite.
A destra sociale foi um grupo interno da MSI e uma tendência cultural que se conectava diretamente com a experiência da República Social Italiana. Partidários dessa tendência política ressaltavam os aspectos "socialistas" da doutrina fascista, reivindicando um Estado forte capaz de cuidar de seus cidadãos do berço ao túmulo. Neste entendimento, se espera que a política tenha uma posição predominante no sentido da economia e o Estado tem de centralizar todas atividades econômicas pelo bem e pela riqueza da nação. De forma similar, como veremos depois, a CasaPound pede por um Estado mais forte para proteger seus cidadãos da ditadura dos bancos e sistema financeiro internacional, e tenta avançar uma agenda social que tira inspiração diretamente da doutrina social desenvolvida na República Social Italiana. 29
Mas se a relação com a destra sociale é reivindicada pela própria CasaPound, a conexão coma Ordine Nuovo é bem mais complexa. Ordine Nuovo foi fundada em 1956 por Pino Rauti e outros militantes da MSI, que discordavam com o partido em diversas questões entre as quais o reconhecimento da OTAN. Seguindo a doutrina de Evola, o grupo desenvolveu um compromisso cultural forte mas também um senso de militância onde se dava uma particular importância às ações de violência contra seus oponentes. Durante as últimas décadas, muitos de seus militantes foram acusados de atividades terroristas, por isso é muito difícil para a CasaPound mostrar abertamente apoio a essa tradição. Ainda assim, durante entrevistas os militantes fizeram referências explícitas a noções próximas dessa experiência, usando vocabulários conectados com tradição, o "sentido interior" da história, racismo espiritual e revolução. 3031
Finalmente, parte da ideologia da CasaPound se inspira na experiência e prática da Nouvelle Droite de Alain de Benoist. Junto com a Nuova Destra na Itália, estes estão entre os mais interessantes experimentos políticos dos anos 70. Seguindo a onda cultural dos movimentos de protesto que começaram em Maio de 1968 em Paris, esses intelectuais tentaram renovar a direita adicionando a ela temas e questões como o federalismo e a ecologia, mas também uma visão étnica identitária, comunitarismo, anti-imperialismo e europeísmo. Mais uma vez, a CasaPound explicitamente tenta se conectar com essa experiência, adotando alguns de seus aspectos ideológicos, notavelmente aqueles que dizem respeito as preferências antiamericanas e europeístas, o laicismo explícito de sua identidade política e a retórica anti-imperialista, mas também em termos de atividades relacionadas a proteção do meio ambiente e a ecologia. 32333435
Introduziremos em detalhe o caso da CasaPound Italia, como exemplo paradigmático de um grupo que se beneficia das inter-relações entre, de um lado, a piora das condições socioeconômicas e a progressiva deterioração das instituições representativas das democracias liberais, e de outro lado, a reinterpretação de uma mistura entre as ideologias fascistas e neofascistas. 36
CasaPound Italia
Este artigo foca no caso da organização italiana CasaPound.. Nossa escolha tem a ver com aforma que o grupo descreve a si mesmo: um "movimento neofascista" cuja identidade está enraizada na tradição e ideologia fascista italiana ao invés das categorias tradicionais de "esquerda" e "direita". Sendo assim, a CasaPound se auto-identifica explicitamente como um movimento social. Isso se confirma em sua preferência nas formas de ativismo, que incluem organizar protestos, ações demonstrativas e expressivas, marchas sem autorização e distúrbios, ao invés do engajamento político (apenas) formal. No nível retórico, o grupo sempre afirmou suas diferenças com os partidos tradicionais, privilegiando a organização, repertório e práticas dos movimentos sociais.37 38
A CasaPound reivindica suas origens no fascismo italiano. Alinhado ao debate ideológico mencionado anteriormente, a CasaPound concebe seu fascismo revolucionário de estilo próprio para além da divisão esquerda-direita. Mais do que isso, a oposição às políticas neoliberalizantes foram de maior importância para o movimento desde sua própria origem. A CasaPound surgiu em Roma em 2003, com a ocupação de um prédio no centro do bairro chinês de Roma, mas já em 2008 mudou seu status oficial para "associação para a promoção social", e adotou o novo nome CasaPound Italia.39
O nome "CasaPound" na verdade se refere a "casa" e a Ezra Pound. No primeiro aspecto, é óbvio a referência aos problemas relacionados a moradia na Itália e em Roma, assim como à bolha imobiliária na Europa. Quanto a isso, o maior número de ordens de despejo em 2008 (quando a CasaPound mudou seu status para "associação para a promoção social") foi emitido em Roma (7,574), entre os quais quase 5 mil foram por falta de pagamento. Ao longo dos últimos 5 anos, os despejos passaram dos 31,000 dos quais 19,273 foram por falta de pagamento. Em Roma, ao longo dos últimos 5 anos, foram 11,612 despejos, entre os quais 2,209 foram cumpridos em 2008, com um crescimento de 18% comparado com 2007.40
A referência a Ezra Pound tem a ver com sua teoria do aluguel ser "usura". Para o poeta americano, tudo que não é usado pelos seus donos se torna capital, o que é então trazido ao mercado obrigando os outros (aqueles que não têm capital) a pagar um paralelo mensal: o aluguel. De forma mais geral, todo o repertório das atividades da CasaPound está diretamente e explicitamente inspirada nas interpretações da ideologia fascista italiana, e mais notavelmente na sua "doutrina social", da qual o grupo neofascista estrategicamente seleciona entre os vários textos e legislações produzidas desta área do regime fascista. 41
A gênese do movimento, no entanto, remonta a 1997, quando o futuro líder do movimento (Gianluca Iannone) fundou a banda de rock ZetaZeroAlfa. Com ela, deu voz aos ideais de um grupo de jovens neofascistas romanos, cantando sobre economia de mercado da globalização, a violência e a necessidade de se revoltar contra a ordem vigente. Naquela época, essas preocupações não estavam de fato encorporadas no discurso político do principal partido de extrema direita, o MSI-FT (Movimento Sociale Italiano - Fiamma Tricolore), cuja organização jovem era liderada pelo próprio Iannone. Em 2008, o grupo de Iannone, já conhecido em Roma como CasaPound, abandonou o partido, após duradouras tensões entre a rigidez do aparato do partido e a flexibilidade exigida pelos jovens. Oficialmente, a ruptura aconteceu depois que a liderança do partido rejeitou o pedido de Iannone para organizar o congresso partidário. 42434445464748
O grupo foi, neste meio tempo, protagonista de uma série de ações de demonstração, entre elas a ocupação do prédio de propriedade do estado na periferia de Roma em 2002 (Casa Montag), a organização de uma série de ocupações "não-convencionais", o ataque a transmissão do programa "Big Brother" e diversas confusões violentas envolvendo a organização estudantil do movimento (Blocco Studentesco). Em Dezembro de 2011, um simpatizante da CasaPound matou a tiros dois ambulantes senegaleses e feriu mais três outros antes de se suicidar, em Florença. Atualmente, CasaPound pode contar com alguns milhares de simpatizantes espalhados por toda Itália. Possui 15 livrarias, 20 pubs e uma rádio web (Rádio Bandeira Negra) em 25 países. A CasaPound também está produzindo publicações como o jornal mensal "L'Occidentale" e o semestral "Fare Quadrato".4950
Em termos de apoio eleitoral, no entanto, a CasaPound não emergiu ainda como uma competidora relevante no sistema partidário italiano. Sua escolha de concorrer nas eleições de 2013 não pode ser considerada um grande sucesso, de modo geral. A CasaPound obteve resultados eleitorais muito ilusórios: apenas 0,14% entre a Câmara e o Senado, e menos de 1% nas eleições municipais e regionais. O modesto desempenho eleitoral também foi reconhecido pelo grupo em sua primeira declaração pública após as eleições. Ao mesmo tempo, no entanto, o grupo também conseguiu identificar sinais encorajadores. Suas estratégias comunicativas e expressivas foram muito bem-sucedidas em atrair atenção midiática, de forma que agora basicamente qualquer pessoa é capaz de associar o grupo a um certo número de propostas políticas, especialmente aquelas relacionadas à crise. Somado a isso, a distribuição geográfica do voto na CasaPound das eleições nacionais indica que o grupo é agora o líder inquestionável da direita radical na Itália central. Deforma ilustrativa, o leitor pode marcar na memória que a CasaPound obteve mais votos que ambasForza Nuova (FN) e Fiamma Tricolore (FT), os dois partidos tradicionais que ocupam o espaço eleitoral da direita radical na Itália. 515253
Métodos e Fontes
No que diz respeito a CasaPound, as fontes tendem a ser escassas comparada às outras organizações políticas da mesma área. Isso se deve principalmente pela CasaPound ser uma experiência recente e numericamente limitada, que ainda não capturou a atenção de acadêmicos eque continua de difícil acesso para um trabalho de campo. Este paper, no entanto, utiliza três diferentes tipos de fontes para sua análise, já que os autores não só fizeram análises dos textos dos materiais disponíveis sobre a CasaPound, como também tiveram acesso para um trabalho de campo dentro dos espaços e comunidades da CasaPound. Nós, portanto, fizemos: 1) uma análise de conteúdo das informações do movimento e seus materiais de propaganda na web (página oficial, página do Facebook e blogs; panfletos, manifestos e livros); 2) entrevistas detalhadas com militantes da CasaPound e seus quadros; e 3) observação de participantes nos eventos, concertos e atividades políticas. Os três tipos de fonte refletem em detalhe o repertório da CasaPound, permitindo um entendimento profundo sobre como a crise econômica é abarcada e integrada dentro da ideologia da organização.
Ademais, o conjunto diferenciado de fontes permite uma visão transversal das práticas discursivas da CasaPound: num primeiro nível existe o discurso mais "externo", aquele com o qual o movimento se comunica com o mundo exterior, surgindo dos materiais produzidos para a web e para as campanhas públicas; no nível intermediário, há o discurso aplicado tanto ao público externo quanto aos apoiadores internos, que surgem das entrevistas com os quadros do movimento; finalmente, o "olhar de dentro", aquele exclusivamente direcionado aos militantes do movimento, só pode ser reunido através da observação como participante.
O conjunto desta pesquisa deriva de 18 entrevistas detalhadas dadas aos autores entre Fevereiro e Outubro de 2012, e coletadas nas sedes da CasaPound em cinco cidades italianas: Florença, Turim, Verona, Roma e Nápoles. Mais especificamente, em cada escritório as entrevista foram conduzidas com o secretário local, a pessoa responsável pelas atividades culturais e um número variado de militantes. As entrevistas constituíram um modo hermenêutico de entender como a CasaPound enquadra o discurso da crise em seu discurso ideológico e ação política, assim como uma introdução preliminar a militância da CasaPound, referida pela reconstrução da história de vida dos entrevistados. Nesse sentido, as entrevistas oferecem um modelo de referência para investigar o entendimento do grupo da realidade externa e da ação política.
Este material então foi complementado pela participação de observadores nas conferências, comemorações, concertos e manifestações organizadas pela CasaPound, que permitiram analisar como as emoções coletivas são construídas no movimento e como são expressas nos códigos de suas subculturas. Essa experiência foi importante para mensurar a extensão em que o discurso externo está internalizado pelos militantes e apoiadores. Somado isso, o texto analisa diferentes materiais coletados durante a observação de participantes nos eventos públicos, permitindo ter um entendimento mais esclarecido do discurso da CasaPound ao interagir com o público. Isso foi então integrado aos textos usados pela CasaPound como "pilares ideológicos", junto com as publicações internas do movimento e outros materiais da web.545556
A crise econômica na ideologia da CasaPound
A CasaPound nasceu da ideia da crise, já que a primeira ocupação em Roma supostamente era uma resposta a crise habitacional que a cidade enfrenta há muito tempo. Apesar de a reivindicação da ação manter até certo ponto uma conotação racial (ocupações e casas apenas para italianos), os líderes da CasaPound argumentaram que o movimento não nasceu de bases puramente ideológicas, mas ao invés disso como resultado de uma necessidade social: a falta de espaços para moradia para famílias italianas e os preços excessivos dos aluguéis. CasaPound, em outras palavras, quer se representar como "sendo forçada" a tomar uma ação política para dar uma resposta às necessidades sociais de nossa sociedade.
Nesse sentido, a atual crise financeira conversa diretamente com as origens da CasaPound, especialmente se levarmos em consideração que em sua origem está a crise das hipotecas sub-prime e portanto – no entendimento da CasaPound – a incapacidade das famílias norte-americanas em pagar seus empréstimos, em cobrir as despesas de suas hipotecas, em ter uma casa. Desde seus primeiros dias, CasaPound deu muita atenção a essa dimensão, salientando as reflexões de EzraPound sobre a casa como lugar sagrado, como o lugar da família, como o único lugar seguro para uma pessoa. A casa para a CasaPound não apenas detém um valor material, mas também simbólico ao definir o significado da vida de uma pessoa, que não pode seguir as lógicas materiais do capitalismo de mercado.
Somado a isso, o discurso político da CasaPound reproduz os aspectos nacionalistas e anticapitalistas do fascismo italiano. Nesse sentido, a crise se origina diretamente das contradições do capitalismo e seu regime econômico "selvagem", que a CasaPound preferiria controlar através deum Estado forte capaz de impedir as desigualdades da economia de mercado. O Estado forte, além disso, permitiria as nações estado reconquistar a soberania de que abriram mão em favor das organizações transnacionais, em particular a União Europeia, o FMI e o Banco Central Europeu.
A ideia de um Estado forte responsável pelo controle da economia nacional é uma clara referência a ideologia do Partido Nacional Fascista e da posterior República Social Italiana. Muitos de nossos entrevistas, na verdade, consideram o Estado como uma entidade monolítica, representando uma comunidade única e desprovida de qualquer processo dialético interno. Como o fascismo, a CasaPound busca dar ordens marciais às massas, acompanhando o processo que ruma à modernidade com os processos de identidade ligados às narrativas heroicas do Estado. 575857
Ao mesmo tempo, no entanto, a CasaPound se define como uma organização pró-europeia, ao contrário de muitos movimentos radicais de direita contemporâneos. Mais uma vez, esse elemento os conecta com a tradição da direita neofascista que remonta ao início da década de 50, quando grupos fascistas eram atores transnacionais propondo um tipo ideal de "nação-estado europeu" baseado em tradições compartilhadas, e culturas e valores homogêneos. A esses ideais, a CasaPound acrescenta a proposta de uma Europa protecionista, com o objetivo de conquistar uma área de extensão europeia de autossuficiência econômica e bem-estar. Mais uma vez, os pilares ideológicos da visão sobre economia da CasaPound relembram as campanhas de supremacia econômica de Weimar (contra o sistema financeiro corrompido), e as ambições italianas por autossuficiência na produção de alimentos na década de 30.
A autossuficiência econômica também é uma forma de se reconectar com a natureza, dentro de uma imagem bucólica de naturalismo que não é completamente nova para as organizações radicais de direita. Nesse sentido, a CasaPound constrói um discurso sobre a ordem natural que afeta o ambiente, mas também a economia e a sociedade em grande escala: uma ecologia social que resgata os ideais dos projetos da Nova Direita italiana do fim dos anos 70. 59
A CasaPound se inspira diretamente no fascismo italiano em relação ao chamado para uma luta incansável contra o capitalismo internacional. A referência aqui são os ataques de Mussolini contra as plutocracias internacionais que eram responsabilizadas pela destruição das economias nacionais, incluindo a italiana. O processo de construção de identidade do fascismo histórico e do neofascismo da Guerra Fria, no entanto, foi baseado em outro elemento fundamental: a identificação do inimigo, precisamente o comunismo.
Nesse sentido, a CasaPound difere dessas experiências. Apesar de uma retórica confrontadora frente a frente com a organização da esquerda radical persistir vívida no imaginário do movimento, as sociedades de hoje não sentem a ameaça do expansionismo da União Soviética, e não enfrentam o surgimento de um modelo alternativo ao capitalista que tenha credibilidade. Assim, a maior parte dos esforços em identificar o inimigo são voltados para o capitalismo e as doutrinas neoliberais da economia de mercado. Como parece, a CasaPound criou uma espécie de ideologia fascista à la carte, no sentido de selecionar os aspectos e elementos do discurso fascista tradicional que possam melhor caber nos ânimos e necessidades de hoje. No contexto da crise atual, consequentemente, não é nenhuma surpresa que a luta contra o capitalismo internacional e a defesa das classes trabalhadoras tenham um papel importante no autoentendimento e na produção política do movimento.
É dedicada, nesse sentido, atenção especial aos segmentos da sociedade que mais sofrem as consequências da crise. A CasaPound então desenvolve a atitude social da direita radical para com aclasse trabalhadora e o campesinato. A CasaPound fundou seu próprio sindicato, e dedicou imensa atenção nas campanhas políticas que visavam esses tipos de questões, na esperança de abrir espaço com mensagens culpando o governo tecnocrata da Itália e mirando na subordinação econômica do país aos poderes internacionais estrangeiros.60
Se espera que essas e outras mensagens similares sobre a tecnocracia se tornem rapidamente populares, de forma similar como ocorreu com o discurso de Mussolini sobre a plutocracia. Nos últimos meses, por exemplo centenas de pôsteres foram pendurados por todo o país representando os agentes coletores de impostos como vampiros prontos para sugar o sangue de suas vítimas. Mais comumente, a atenção específica da CasaPound para com os grupos mais fracos da sociedade é confirmada pela sua atenção com as políticas sociais. Como veremos mais tarde nesse paper, o grupo promove uma série de "atividades para-assistenciais" direcionadas às famílias italianas enfrentando dificuldades. Essas atividades vão da distribuição de comida à assistência médica, e ajuda a pessoas com deficiências e idosas, mas também envolve um serviço específico da CasaPound de proteção civil. É importante lembrar, esses projetos são inspirados na chamada doutrina "social" do fascismo italiano, que é simbolizado pelo Manifesto di Verona (aprovado em 1943), o documento fundador da República Social Italiana. 61
O panorama dos elementos ideológicos conectando a CasaPound à crise econômica oferecidos nessa seção ilustram que o movimento mobiliza um conjunto de lemas e ideias tomados diretamente da tradição fascista da década de 20, 30 e da época da Guerra Fria. Essas linhas interpretativas se referem aos conceitos amplos de nacionalismo, anticapitalismo e autossuficiência econômica, mas também aos projetos para uma autarquia europeia e uma oposição à tecnocracia e a plutocracia. Ao mesmo tempo, no entanto, a CasaPound seleciona estrategicamente entre as ofertas de políticas, pilares ideológicos e repertórios simbólicos de seu menu, disponíveis da tradição fascista. Líderes e militantes da CasaPound, na verdade, fazem constante referência ao Manifesto como um documento fundamental para a ideologia do movimento. Ainda assim, dos 18 pontos doManifesto focados na legislação social e do trabalho, a CasaPound pega apenas aqueles que lidam com a proteção dos direitos trabalhistas, onde nenhuma referência é feita as conotações explicitamente racistas do documento.
Em termos concretos, a maioria dos líderes do movimento não parece ter ideias claras de como implementar ou desenvolver projetos similares, nem parece realmente se perguntar sobre as questões que envolvem a tomada de poder e as possibilidades concretas de mudança. Nesse sentido, a CasaPound parece ser desprovida de uma base ideológica interiorizada, e suas referências à doutrina social do fascismo parecem ser guiadas basicamente por um zeitgeist mais amplo de anti-austeridade, delineado em termos de uma reivindicação romântica por um fascismo imaginário.
A Crise Internacional e as práticas da CasaPound
Olhando as atividades políticas realizadas pela CasaPound de 2003 até agora, é impossível não notar a diversidade de campos de ação que o movimento dialogou. Apesar de, como já foi ressaltado, a CasaPound ter nascido de um movimento de causa única, centrado em Roma e focado no problema das moradias, o movimento ao longo dos anos desenvolveu uma variedade de campanhas e atividades. A progressiva diversificação das atividades políticas está alinhada com a interpretação do fascismo pela CasaPound, que é entendido como um modus vivendi que afeta todas as esferas da vida cotidiana. Nesse sentido, ele se referem a definição de Gentile do ser fascista como "uma concepção total da vida… não se pode ser fascista na política e não ser fascista na escola, na família, no trabalho". Fascismo, em outras palavras, "é um ideal que não nos permite descansar". Se espera portanto que os militantes compartilhe um senso de camaradagem brotando da missão de regeneração nacional, que por sua vez resulta na total dedicação do indivíduo para com a comunidade e a sua disciplina. 626364
Em outras palavras, a CasaPound busca construir um senso de camaradagem através da diversificação da sua produção política em numerosas questões, inspirado por uma filosofia de vida construída nos mitos e estéticas fascistas e na mistura do neorromantismo, irracionalismo, espiritualismo e voluntarismo. É nesses moldes que a CasaPound desenvolveu seu projeto ambientalista La Foresta che avanza (A floresta que avança), que se inspira na "Mística da Terra" dos fascistas, mas também no referendo de discriminação positiva Tempo di essere Madri (É tempo de ser mãe), que garantiria horários de trabalho de meio período para mães que trabalham. O voluntarismo da CasaPound também se reflete no engajamento social e cívico (La Salamandra, que opera em territórios abalados por desastres naturais e/ou humanitários), e pelos esforços em oferecer material de assistência em diferentes campos, como o do setor da saúde (GR.I.ME.S., grupo de intervenção de medicina social da CasaPound), e a solidariedade nacional e internacional (Progetto Braccia Tese - Projeto Braços Abertos e Solidarité-Identités). A mesma lógica se aplica a muitas atividades que dizem respeito a cultura, através das quais a CasaPound tenta construir uma estética própria neofascista e neofuturista, seja nas artes visuais (Turbodinamismo, Artisti per CasaPound), música (Bunker noise Academy, Area 19) e diversas outras atividades recreacionais e esportivas. 65
Essa diferenciação organizacional surge da concepção da CasaPound do fascismo como uma "religião secular"; também é verdade que o alargamento de sua produção política original foi resultado da ambição do movimento em ampliar seu apoio para além dos limites da capital citadina. Em outras palavras, as questões socio econômicas relacionadas a questão da moradia (um problema muito urgente em Roma) não foram suficientemente atrativas para o público que residia em áreas do interior, onde o problema era menos sentido. Mas esse era o caso antes da explosão da crise italiana. Nesse sentido, parece que agora as elaborações sobre a crise e a luta contra o capitalismo neoliberal reconquistaram a centralidade no discurso e na propaganda da CasaPound, em nível nacional. Esse é o tema que iremos discutir na próxima seção. 66
Trabalho, Moradia e Austeridade: as atividades da CasaPound relacionadas a crise
De acordo com a liderança da CasaPound, a interpretação do fascismo de Mussolini, pelo movimento, explica o porque sua produção política é coerente com o contexto da crise internacional. Nesse sentido, existem três atividades da CasaPound que podem ser consideradas diretamente relacionadas com a crise: BLU, o sindicato da CasaPound; a proposta do Stop Equitalia; e a campanha pelo Empréstimo Social. Antes de discutir cada um deles em detalhe, é importante notar que essas atividades são geralmente retratadas como uma resposta fascista ao capitalismo e aos "estranguladores financeiros". Além do mais, elas são definidas em função de um inimigo claro: a crise, seja ela em função do mercado de trabalho, das medidas de austeridade (e tecnocracia) ou dos mercados financeiros. A identificação dos inimigos é essencial para a identidadeda CasaPound, já que eles alimentam o seu pragmatismo antiideológico. Nesse sentido, a crise oferece ao grupo uma valiosa fonte de diferenciação e, portanto, autoidentificação. 67686970
Como será notado, cada uma das atividades propostas é diretamente ligada a ações políticas específicas que podem ser concebidas como institucionais (ou "convencionais" [conforme] na linguagem da CasaPound) ou não-institucionais ("inconvencionais" [não-conforme, inconformado]). Nesse discurso político do grupo, todas atividades são moldadas como uma resposta fascista à ditadura capitalista, à crise financeira e à incapacidade dos partidos tradicionais, elites e tecnocratas de oferecerem soluções para a crise. 71
Essas atividades são de grande importância, não só porque falam com um público amplo de apoiadores em potencial, mas também porque dão à CasaPound a possibilidade de delinear sua imagem pública focando em dimensões específicas do fascismo (a legislação social e do trabalho), ao mesmo tempo que evita todos aspectos com risco de estigmatização (acima de tudo o racismo e a violência). A Tabela 1 abaixo ilustra essas atividades, o repertório de ações relacionado e qual dimensão da crise que respondem.
BLU, “Bloco dos Trabalhadores Unido” (Blocco Lavoratori Unitario), é um dos experimentos mais recentes da CasaPound. Isso confirma a ideia de que a atenção da CasaPound às questões socioeconômicas cresceu com a explosão da crise italiana. Em geral, a ideia por trás da BLU é de lutar contra a precariedade nas relações trabalhistas. Como foi explicado nas entrevistas, a BLU é inspirada diretamente na fascista Carta do Trabalho de 1927, que ressaltava a ética do sindicalismo e da economia política fascista na base das reformas sociais de Mussolini. 72
Tabela 1. As atividades da CasaPound relacionadas a crise e suas ações políticas correspondentes
Apesar da visibilidade da BLU ainda ser mínima, o grupo está ativamente participando dos mais intensos debates sobre as relações trabalhistas na Itália, facilitados nisso pela situação dramática do mercado de trabalho, que sofre a mais alta taxa de desemprego da última década. Em particular a BLU abordou a questão do Articolo 18 e da Ilva di Taranto à medida que degeneravam em um contexto mais amplo de medidas de austeridade implementadas pelo governo técnico, no poder desde Novembro de 2011, que avançou uma revisão drástica da legislação trabalhista italiana.7374
Analisando o material produzido pelos ativistas da BLU, é explícito que a CasaPound usa acrise como ferramenta de abertura para se comunicar com os debates mencionados anteriormente [Alguns bordões utilizados]: "Art. 18: trabalhadores desesperados. Mercados reconfortados"; "Art. 18: trabalhadores demitidos, mercados deleitados"; "Trabalhadores escravizados, spread em queda". Das entrevistas com os líderes, também veio à tona que a BLU recentemente impulsionou a criação de uma Assistência ao Trabalhador (Sportello dei lavoratori) em Nápoles, para oferecer assistência legal e social aos trabalhadores que enfrentam dificuldades no trabalho. 7576
Além disso, dada a oposição do grupo aos programas de austeridade italiana, a CasaPound também lançou a campanha Ferma Equitalia (Pare Equitalia). Equitalia é a companhia pública responsável pela coleta de impostos, por isso vista por muitos italianos como o símbolo daausteridade. Em relação a essa questão, o repertório de ações da CasaPound incluiu não só uma proposta de lei razoavelmente articulada, mas também protestos de rua em diferentes cidades italianas. Além disso, desde Novembro de 2011, essa campanha teve sua relativa importância impulsionada na CasaPound já que antagonizava diretamente com as medidas de austeridade e o governo técnico. Um argumento recorrente no discurso da CasaPound tem a ver com os males causados pelas consequências sociais e econômicas da austeridade. 777879
O aparato simbólico que o grupo mobiliza para a campanha é baseado nas ideias de morte, destruição e dor, e insiste visualmente nas cores do sangue e da morte, anunciando o discurso intenso e violento da CasaPound sobre a crise. O principal protagonista desta campanha é umhomem negro estilizado com uma pasta e dentes de vampiros, acompanhado de cartões-postais mostrando um braço com as veias abertas saindo de uma banheira, um homem dando um tiro na própria cabeça em frente a uma janela, alguém cometendo suicídio com pílulas ou ainda um jogo de forca onde a palavra que se forma é "Equitalia". 80
Diretamente relacionada a campanha Stop Equitalia, está a campanha já mencionadaEmpréstimo Social (Mutuo Sociale). Uma das palavras que caracteriza a atual crise financeira é sem dúvida "casa", já que a bolha imobiliária e as hipotecas sub-prime relacionadas foram os pontos simbólicos e materiais do início da crise. Nesse sentido, a crise impulsionou a luta original daCasaPound: aquela pela generalização dos direitos a moradia e ao empréstimo social. 81
A campanha "Empréstimo Social" também explica o repertório de ação da CasaPound fundado nas práticas de ocupação, Occupazioni a Scopo Abitativo (OSA, Ocupação com fins habitacionais). Apesar de, em termos concretos, as OSA da CasaPound serem três em todo o território italiano, essas experiências são exploradas pelo grupo para aumentar sua visibilidade e originalidade, e como um viático para seu discurso político sobre a crise. Conceber a habitação como uma prioridade é devido, em primeiro lugar, ao ponto nº 15 do, fascista, Manifesto di Verona (1943) que define a casa como um direito que o estado assegurará para todos cidadãos, afirmando que o pagamento de aluguel garante o direito de possuir a propriedade.
Os efeitos da crise na campanha da CasaPound sobre o empréstimo social são claros se se considerar que essas ações já são atualmente sempre associadas, na propaganda visual, à perda por cidadãos italianos do direito à moradia devido a "expropriação" da Equitalia. Na mesma linha, os panfletos têm bordões como "Você deu tudo ao estado, agora é a vez de dar a sua casa!". E de forma parecida os ativistas da CasaPound nas manifestações cantam que "usura mata a nação", e pede por uma "revolução contra os bancos". Outros bordões emblemáticos sobre isso são "No fim do mês o aluguel irá te matar. Quero aluguel social, quero ter a minha casa!". 828384
Concluindo, essa seção ofereceu uma visão geral empírica das atividades da CasaPound relacionadas a crise, com o objetivo de ressaltar os aspectos da atual Eurocrise que têm importância particular para o grupo e que conotam seu repertório de ações. Como vimos, por um lado a crise deu oportunidade para o movimento expandir seu escopo de atividades, incluindo todo um conjunto de novas dimensões e projetos relacionados ao Fascismo como uma força socializante. Essas atividades e propostas de políticas se referem a questões trabalhistas, políticas de austeridade e protestos anticapitalistas e anti-establishment. Por outro lado, a crise nutriu o interesse original principal da CasaPound, isto é, os projetos relacionados a habitação e direito a moradia, que agora parecem ter um papel ainda mais central em seus discursos e práticas.
Conclusões
The present research has set up to analyze the ways in which neo-fascist organization organize their activities and build their consensus in times of crisis, and investigated whether, underthese circumstances, radical right groups modify their repertoire of action to achieve consensus. Inparticular, we focused on a neo-fascist group which is active in one of the main crisis-riddencountries: Italy. We have illustrated that CasaPound Italia, a relatively young group of activists, hasgiven large space to crisis-related issues, and that is actively trying to build support around these byselecting strategically from the menu of fascism and neo-fascism, rather than by renovating itsideological and organizational repertoires.
In order to understand in-depth the legacy of CasaPound in fascist ideology, we firstsummarized the existing debates explaining how Italian Fascism has benefited from the politicaland economic crises that Italy (but not only) experienced in the beginning of the XX century. Building upon this theoretical framework, we tried to identify the crisis-related discourse and ideasthat are pushed forward by CasaPound, in relation to the social doctrine developed during the ItalianSocial Republic and by Italian and European neo-fascism. Moreover, we looked at how the crisishas influenced the actual practices, forms of protest and repertoires of action of the movement. Toachieve this goal, the research made use of different types of sources, investigating not only thedimension by which CasaPound addresses the external public (web communication materials, flyers), but also the ones which pertain to the internal public (interviews with the chiefs and themilitants, and participant observation).
Our analyses of the crisis-related ideas of CasaPound illustrate that the discourse of thegroup is entirely inherited from fascist ideas, which are selectively extrapolated from the largeamount of material available from the long social tradition of the Italian radical right. In particular, CasaPound borrows directly from Italian fascism the concepts of nationalism and economic self-sufficiency, whereas it develops from previous neo-fascist experiences the claims of Europeanautarchy, anti-capitalism and opposition to technocracy, which they deem particularly appealing inthe wake of the ongoing crisis.
In other words, we illustrated that the Eurocrisis is used by CasaPound to elaborate andpropose a form of fascism à la carte, where aspects and elements of the traditional fascist discourseare selected and prioritized over others, reconstructing the idea of fascism as a revolutionary anticapitalist force. The idea is that of creating a sentimental and political connection with the laborregulations of the Italian Social Republic, as the group considers that the corporatist and socialexperience of the late Italian fascism represents (when looked from the perspective of today's crisis) the most convincing and captivating aspect of fascist history.
In addition to that, the study of the crisis-related discourse of CasaPound highlighted that thefocus on the crisis is also functional to the group for the identification of the enemy. This isconfirmed as well by our analysis of the practices and repertoires of CasaPound, as the activitiestargeting the actors held responsible for the current economic conditions play a fundamental role inbuilding the group's identity. In other words, the absence of a confrontational dynamic with theinternal enemy (communism) is sublimated by the concentration of all the efforts against theexternal enemy of financial capitalism.
Moreover, we highlighted that although this group often combines in its repertoire of actiondifferent forms of political participation (from more conventional ones such as policy proposals tomore unconventional and protest-oriented ones), the number and type of activities that relate to thecrisis are increasingly growing in number and importance. In this sense, the defense of labor rights, the opposition to technocracy and austerity policies, as well as the focus on housing problems, constitute the humus for a vast set of crisis-related activities by which CasaPound attempts to createan emotional connection with the values represented within the political and social model of thefascist regime.
At the concrete level, moreover, we have described how these messages are conveyed bymeans of the material distribution of goods and services within the everyday practices of the group. In this respect, CasaPound builds on the consequences of the crisis in terms of worsening livingconditions and dismantlement of the welfare state, in order to push forward its consensus-buildingpractices, filling the gap of nation-state redistributive services with the voluntary offer of servicesjustified on the basis of a fascist interpretation of capitalism and the role of the state.
Even if the choice to participate to the elections in 2013 did not seem to pay off forCasaPound, the high media visibility that the group achieved, its increasing presence on variousregions in Italy, and the growing number of members that the group seems to have, are all factorsthat indicate that economic turmoil is a fertile ground for extreme right organizations pushingforward a fascist economic agenda. Whether the structural opportunities which helped CasaPoundbecoming publicly visible and somewhat influential within its political space may continue over thenext years, is a matter of empirical enquiry. The discussion pushed forward in the present paper, however, underlines that fascism may become an efficient tool for extremist organizations toovercome their status of marginality and, levering on the increasing spectacularization of mediatized politics, achieve the core of the political system.
In conclusion, we believe that the study of CasaPound constitutes a representative exampleof the extent to which fascist interpretations of the crisis become attractive in times of economicstruggle, as well as an ideal case study to look at how radical right groups try to exploit economiccrises in order to reconstruct the legacy with their fascist past. In particular, at times in whicheconomic policy appears to drive political decisions, and the gap between representatives andrepresented is enlarging more and more, extreme right movements have an easy way in depictingthe fascist model as a "third way" towards economic autarchy and national self-sufficiency.
Hence, we are convinced that the present study can contribute to the broader researchdealing with how crisis situations shape the consensus for radical right movements, parties andorganizations. Moreover, by mixing a historiography approach to the issue of the social origins of fascism, and an ethnographic experience within contemporary right-wing movements, we offer herean attempt for a multidisciplinary understanding of the success (or failure) of the neo-fascist right. Future research shall continue in the avenue traced here for the Italian case, investigating whethersimilar patterns are confirmed across the continent, and what are the consequences of the unfoldingof crisis with respect to the politics of the European extreme right.
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Neste paper, os termos “direita radical” e “extrema direita” são usados de forma intercambiável. Literaturas anteriores descobriram que existem 26 formas diferentes de identificar essa família partidária (Mi chael Minkenberg, “The renewal of the radical right: Between modernity and anti-modernity”, Governmentand Opposition, 35, 2 (2007), 170–188). Apesar do debate terminológico e conceitual ainda estar em aber to, os grupos pertencentes a “direita radical” ou “extrema direita” são geralmente associados com valorescomo o nacionalismo e o exclusivismo, xenofobia, chauvinismo de bem-estar social, revisionismo e conservadorismo (Cas Muddle, Populist Radical Righ Parties in Europe (Cambridge: Cambridge University Press, 2007). ↩
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Rana Foroohar, “O Homem Por Trás da Mais Perigosa Economia Mundial”, The Times, 21.11.2011 ↩
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Fonte: OECD. ↩
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Fonte: Eurostat, consultado em 05/08/2013. Para um panorama mais amplo das estatísticas macroeconômicas da Itália durante a crise veja o relatório da OECD em "A crise esmaga a renda e põe pressão sobre a desigualdade epobreza", disponível em http://www.oecd.org/els/soc/OECD2013-Inequality-and-Poverty-8p.pdf, consultado em 04/08/2013. ↩
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O acrônimo P.I.I.G.S. (ou G.I.P.S.I.) é usado em economia para se referir as economias de Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha. ↩
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O Movimento Cinque Stelle. Veja: Lorenzo De Sio, Matteo Cataldi e Federico de Lucia (eds.). Dossier CISE n. 4 / Le Elezioni Politiche 2013. (Roma: CISE, 2013). ↩
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Piero Ignazi, Forza Senza Legittimità. Il vicolo cieco dei partiti. (Roma/Bari: Laterza, 2012) ↩
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Manuela Caiani, Donatella della Porta e Claudius Wagemann, Mobilizações na Extrema Direita: Alemanha, Itália e Estados Unidos. (Oxford: Oxford University Press ,2012). ↩
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Roger D. Griffin, Fascism, (Oxford: Oxford University Press ,1995). Richard Stöss “The Problem of Right-Wing Extremism Parties in West Germany.” West European Politics 11, 1 (1988) 34-46; Robert Miles, “A rise of racism andfascism in contemporary Europe?: Some sceptical reflections on its nature and extent”, Journal of Ethnic and MigrationStudies, 20, 4 (1994); Roger Griffin, The Nature of Fascism (Palgrave Macmillan, 1991); Hans-Georg Betz and StefanImmerfal (eds), The new politics of the Right: Neo-Populist parties and movements in established democracies, ( Palgrave Macmillan, 1998). ↩
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Nando Tasciotti, "Certe divisioni servono soltanto ai politici. E' ora di discutere dei problemi reali. Come il mercato e l'ecologia". Entrevista com Alain de Benoist, L'Europeo, Outubro de 1992; Michel Marmin, Alain de Benoist. Bibliographie 1960-2010 (Paris: Les Amis d’Alain de Benoist, 2009); Alain de Benoist, Au temps des ideologie “à lamode” (1977-1982), (Paris: Les Amis d’Alain de Benoist, 2009). ↩
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Alain de Benoist, Comunità e decrescita. Critica della Ragion Mercantile. Dal sistema dei consumi globali alla civiltà dell’economia locale, (Casalecchio di Reno: Arianna Editrice, 2006). ↩
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Luciano Lanna and Filippo Rossi, Fascisti Immaginari: Tutto quello che c'è da sapere sulla destra. (Firenze, Vallecchi,2003); Gianpasquale Santomassimo, La terza via fascista. Il mito del corporativismo, (Rome: Carocci, 2006); GuidoCaldiron, La destra sociale da Salò a Tremonti, (Rome: Manifestolibri, 2009). ↩
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Apesar de suas dimensões muito limitadas (os entrevistados afirmam ter não mais que 5000 membros em 2013), o grupo conseguiu nos últimos anos atrair bastante a atenção da mídia, bem além do nível das outrasorganizações e partidos da mesma área. Em análises de mídia recente feita pelos autores, pudemos identificar mais de300 matérias de noticiário envolvendo a CasaPound no período 2004-2012, dos quais quase metade estavamconcentrados no período que se seguiu o estabelecimento do governo tecnocrata na Itália (2011-2012). ↩
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Hanspeter Kriesi, Edgar Grande, et al., West European politics in the age of globalization, (Cambridge: Cambridge University Press, 2008). ↩
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Guido Quazza, Resistenza e storia d'Italia. Problemi e ipotesi di ricerca, (Milano, Feltrinelli, 1976); Enzo Collotti, Fascismo, Fascismi, (Firenze: Sansoni Editore, 2004). ↩
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Emilio Gentile, Modernità Totalitaria, (Roma: Laterza, 2008); Stanley G. Payne, A history of fascism, (London, Taylor and Francis, 1995) ↩
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Alberto De Bernardi, Una dittatura moderna: il fascismo come problema storico, (Milano: Paravia, 2006); Guido Quazza, Resistenza e storia d'Italia. Problemi e ipotesi di ricerca, (Milano, Feltrinelli, 1976); ↩
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Renzo De Felice, Intervista sul fascismo, (Roma, Laterza, 1975); Antonio Gramsci, I quaderni dal carcere Il materialismo storico e la filosofia di benedetto Croce,(Roma, Einaudi, 1975); Angelo Tasca, La Naissance du fascisme (Paris, Gallimard, 1938). ↩
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Antonio Gramsci, I quaderni dal carcere Il materialismo storico e la filosofia di benedetto Croce,(Roma, Einaudi, 1975); Angelo Tasca, La Naissance du fascisme. ↩
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Jurgen Kocka, White collar workers in America, 1890-1940: A social-political history in international perspective, (London and Beverly Hills: Sage Publications, 1980), 286. ↩
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Luigi Salvatorelli, Nazionalfascismo, (Torino: Gobbetti, 1923) ↩
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Alberto Aquarone, L'Italia giolittiana (1896-1915): Le premesse politiche ed economiche, Volume 1 (Bologna: Einaudi, 1988); Pierre Milza, Europa estrema.Il radicalismo di Destra dal 1945 ad oggi, (Roma, Carocci, 2005); GiovanniSabbatucci, Il riformismo impossibile, (Roma, Laterza, 1991); Emilio Gentile, L'Italia giolittiana, 1899-1914, (Bologna, IlMulino, 1990); Francesco Perfetti, Il sindacalismo fascista, vol. I: Dalle origini alla vigilia dello Stato corporativo (19191930), (Roma, Bonacci, 1988) ↩
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Renzo De Felice, Intervista sul fascismo, (Roma, Laterza, 1975); Emilio Gentile, Modernità Totalitaria, (Roma: Laterza, 2008); Emilio Gentile, L'Italia giolittiana, 1899-1914, (Bologna, Il Mulino, 1990); ↩
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Gentile (2008) opposes Harendt's denial of the totalitarian nature of fascism. See also, George Mosse, La nazionalizzazione della masse, (Bologna, Il Mulino, 2004) ↩
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Edward R. Tannenbaum, The Fascist experience: Italian society and culture, 1922-1945, (New York: Basic Books 1972), p. 4. ↩
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Ralf Dahrendorf, Society and Democracy in Germany. (Garden City, NY: Doubleday, 1967), p. 9. ↩
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Geoff Eley, 'What Produces Fascism: Preindustrial Traditions or a Crisis of the Capitalist State'. ↩
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Geoff Eley, “Nationalism and Social History”, Social History 6, 1 (1981):83-107. Renzo De Felice, Intervista sul Fascismo. ↩
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Giuseppe Parlato, La sinistra fascista. Storia di un progetto mancato. (Il Mulino, Bologna, 2000). ↩
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See: Piero Ignazi, Il polo escluso. Profilo del Movimento Sociale Italiano (il Mulino, Bologna) 1989. ↩
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Interview conducted by authors on the 04/27/2012 in Rome and on the 06/01/2012 in Verona. ↩
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Francesco Germinario, La destra degli dei. Alain de Benoist e la cultura politica della nouvelle droite (Bollati & Boringhieri, Torino, 2002). ↩
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Marco Tarchi, La rivoluzione impossibile. Dai campi hobbit alla nuova destra, (Vallecchi, Firenze, 2010). ↩
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Pierre Taguieff, Sulla Nuova Destra. Itinerario di un intellettuale atipico, (Vallecchi, Firenze, 2003). ↩
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Andrea Mammone, The transnational reaction to 1968: Neo-Fascists Fronts and political cultures in france and Italy, in: Contemporary European History. p.64 213-236, 2008 ↩
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Tamir Bar On, A Critical Response to Roger Griffin's ‘Fascism's new faces and new facelessness in the post-fascist epoch’, Erwagen, Wissen, Ethik, (Deliberation, Knowledge, Ethics) 15/3 (April 2004), pp. 307-309; Andrea Mammone, The Extreme Right in Contemporary Europe: History, Interpretations, Performances, with Godin Emmanuel and Jenkins Brian, Journal of Contemporary European Studies, Vol. 17, No. 2, 2009. ↩
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Adriano Scianca, Riprendersi Tutto, (Cusano Milanino: Società Editrice Barbarossa, 2011). ↩
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Interview with Gianluca Iannone, in Nicola Rao, La Fiamma e la Celtica, (Milano: Sperlinger & Kupfer, 2009) p.355. Em Outubro de 2012, no entanto, a CasaPound começou uma campanha para as eleições locais de Roma eLazio. Existem diversos aspectos da CasaPound que a diferenciam substancialmente das definições tradicionais demovimento social, especialmente no que diz respeito a organização interna, a alocação de responsabilidade e o papeldas hierarquias. Estes aspectos, no entanto, não são de uma importância primária para os propósitos deste paper. ↩
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Daniele Di Nunzio and Emanuele Toscano, Dentro e Fuori CasaPound, (Roma, Armando Editore, 2011). ↩
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Mais de 350 mil famílias em em Roma pagam aluguel para ter uma casa. Nos últimos anos as locações aumentaram: em 1999 houve um aumento médio de 150%, com picos nos maiores centros de 165%. Apesar do crescimento na oferta de locação, os aluguéis não reduziram: em Roma o valor médio por uma aco modação de 80 metros quadrados é de 1300 Euros por mês, com os valores máximos para suítes no centroda cidade chegando a 2000 Euros por mês. Source: Sunia “Dossier sulla condizione abitativa a Roma”, availa ble at www.sunia.it, consulted 05/08/2013. ↩
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Ezra Pound, I Cantos, (Milano: Mondadori, 2005). ↩
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Gianluca Iannone (nascido em 1973) é o líder da CasaPound e da banda de rock ZetaZeroAlfa. Começando na juventude da MSI, ele esteve envolvido por muito tempo nas atividades políticas da extrema direita, concorrendocomo candidato às eleições nacionais nas listas da MSI-FT em 2006. Ao longo dos anos, desenvolveu diversos projetosque acompanharam o desenvolvimento da CasaPound Italia. Estes são em sua maioria relacionadas a atividade musicaldo ZetaZeroAlfa, mas também geralmente relacionadas a produção cultural (ele fundou o selo musical Rupe Tarpea) ejornalismo (ele gere a revista de resenha mensal L'Occidentale e a rádio web Radio Bandiera Nera). Para mais detalhes, veja Nicola Rao, La Fiamma e la Celtica (Milano: Sperling & Kupfer, 2006). ↩
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Um dos discos do ZetaZeroAlfa se chama “EstremoCentroAlto”. Foi lançado em 2007 (um ano após a ocupação que marcou o nascimento oficial da CasaPound), e dá nome ao manifesto ideológico (e posicionamento político) daCasaPound. Similarmente, a canção "Fare Blocco" é o hino da ala jovem da CasaPound (o Blocco Studentesco). Somadoa ela, a "Santa teppa" (Hooligans sagrados) do ZetaZeroAlfa é dedicado ao Cutty Sark, o pub oficial da CasaPound. Aletra de "Zetazeroalfa" pelo grupo homônimo descreve as posições ideológicas do grupo. ↩
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Sobre o discurso anti-global e anticapitalista da CasaPound, veja as canções "Boicotta" (Boicote) disponível em http://archiviononconforme.blogspot.it, consultado em 04/08/2013. ↩
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Sobre o discurso anti-liberal da CasaPound veja a canção “Nemica Banca” (Inimigo Banco) disponível em http://archiviononconforme.blogspot.it consultado em 04/08/2013. ↩
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Sobre o discurso da violência pela CasaPound veja as músicas "Cinghiamattanza" (Massacre-de-cinto) e "Nel dubbio mena" (Na dúvida, bata). Ambas disponpíveis em http://archiviononconforme.blogspot.it/, consultado em04/08/2013. ↩
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Sobre o discurso anti-establishment da CasaPound veja a música “Fronte dell’essere” (O Fronte do Ser) disponível em http://archiviononconforme.blogspot.it, consultado em 04/08/2013. ↩
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De acordo com nossos entrevistados, a racha resultou de uma crescente intolerância por parte da ala jovem com a regras e obrigações que caracterizavam o entendimento de política do partido, e do desejo de fazer políticaatravés atividades políticas independentes e não convencionais. Nesse sentido, o grupo claramente se origina do desejode avançar mais em direção às formas de ativismo e organização similares aos de um movimento (Entrevistas n. 1b, 1c, 1d realizadas em 19 de Abril de 2012). Esse argumento é confirmado por um comunicado lançado por Iannone naquelaocasião e que o leitor pode encontrar em http://www.vivamafarka.com/forum/index.php?topic=29274.0, consultado em29/07/2013. ↩
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A importância da CasaMontag como um lugar simbólico, veja o disco "Kryptonite" do Zetazeroalfa. ↩
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Veja “Grande Fratello” por Zetazeroalfa. ↩
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. ↩
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http://www.giornalettismo.com/archives/801515/la-meravigliosa-dichiarazione-di-casapound-sui-risultati-delle-elezioni/, consultado 21/07/2013. ↩
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Forza Nuova continua forte no norte da Itália, de onde vem 42,5% dos seus votos (em particular nas regiões da Lombardia e do Veneto). Fiamma Tricolore mantém seu apoio eleitoral principalmente no sul, de onde vem 38,7% deseus votos (em particular em Puglia e na Calabria). A CasaPound prevalece na Itália central, onde consegue 59,2% deseus votos (principalmente em Lazio). Dados do Ministero dell’Interno: http://elezioni.interno.it/, consultado21/07/2013. ↩
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Stephen G Brown and Sidney I. Dobrin. Ethnography Unbound: From Theory Shock to Critical Praxis. (Albany: State University of New York Press, 2004); Veja também: Toscano and Di Nunzio, Dentro e Fuori CasaPound. ↩
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Ron Eyerman,'Music in Movement: cultural politics and old and new social movements'. Qualitative Sociology 25/3 (2002); Keith Kahn-Harris, Extreme Metal: Music and Culture on the Edge, (Berg Publishers, 2007). ↩
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O material web deriva do site oficial (www.casapounditalia.org/), o blog de discussões (www.ideodromocasapound.org/), da página no Facebook (www.facebook.com/votacasapound) e do site doZetazeroalfa (http://www.zetazeroalfa.org/). Consultados em 12 de Fevereiro de 2013. ↩
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Giuseppe Belardelli, Il ventennio degli intellettuali. Cultura, politica, ideologia nell'Italia fascista, (Roma, Laterza, 2005). ↩ ↩2
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Entrevistas n. 2b realizadas pelos autores em 27 de Abril de 2012. ↩
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Marco Tarchi, La rivoluzione impossibile. Dai Campi Hobbit alla Nuova Destra, (Firenze, Vallecchi, 2010). ↩
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Entrevistas n. 5b realizadas pelos autores em 28 de Junho de 2012. ↩
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De modo similar, a imagem do vampiro foi usada na propaganda nazista, onde judeus eram retratados primeiro como ratos e posteriormente como vampiros. Para mais informação veja John J. Hartman, “A Psychoanalytic View ofRacial Myths in a Nazi Propaganda Film: Der Ewige Jude (The Eternal Jew)”, Journal of Applied Psychoanalytic Studies, Vol. 2, No. 4, 2000. A discussão do antissemitismo na CasaPound vai além do escopo do atual paper, já que exigiria uma investigação de atitudes individuais ao invés de posições ideológicas. No nível da retórica oficial, na verdade, o grupo explicitamente se opõe ao antissemitismo. Em entrevistas recentes, o líder do grupo tem sido bem direto nessa questão: "Não temos medo de dizer que as leis raciais foram um grande erro.. Nós as condenamos totalmente. Também porque as leis raciais afastaram os judeus da revolução fascista, mesmo eles tendo se envolvido na revolução desde os dias da Marcha em Roma. No governo de Mussolini de 1932, o ministro de finanças era Guido Jung, que eraum judeu. E não poderia ser de outra forma, porque nossa cultura mediterrânea sempre foi um mistura de diferentes culturas". Capriccioli, A. (08/12/2012), Roma, CasaPound spiazza tutti. Disponível em www.espresso.repubblica.it, consultado em 04/08/2013.” No nível individual, no entanto, uma recente investigação judicial revelou que um certo nível de fascinação com essa cultura política sobreviveu. ↩
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Entrevistas n. 5b realizadas pelos autores em 27 de Junho de 2012. ↩
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Giovanni Gentile, Che cos'è il Fascismo, (Firenze, 1925), 38-39. Disponível em www.evropanazione.files.wordpres.com, acessado em 02 de Abril de 2013. ↩
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Emilio Gentile, Fascismo. Storia e Interpretazione, (Roma/Bari: Laterza, 2002). Emilio Gentile, Il Culto del Littorio. La Sacralizzazione della Politica nell'Italia Fascista, (Roma/Bari, Laterza: 2003). ↩
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CasaPound Italia, Sport, disponível http://www.casapounditalia.org. Acessado em 22 de Julho de 2012. ↩
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Entrevistas n. 5b realizadas pelos autores em 01 de Junho de 2012. ↩
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Adriano Scianca, Riprendersi Tutto. ↩
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Veja música “Manicomio” em www.youtube.com/watch?v=7_irFihEWIo , acessada em 8 de Dezembro de 2012. ↩
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Entrevistas n. 2c , 2b and 2d realizadas pelos autores em 24 de Julho de 2012. ↩
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Karl Schmitt, The Concept of the Political, (Chicago: University of Chicago Press, 1996). ↩
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Entrevistas n. 2c realizadas pelos autores em 24 de Julho de 2012. ↩
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Entrevistas n. 2c realizadas pelos autores em 24 de Julho de 2012. ↩
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O Articolo 18 é parte do Estatuto dos trabalhadores italianos Ele implementa a assim chamada proteção real dos trabalhadores, disciplinando os casos de demissão injusta. Recentemente, o governo italiano propôs modificar a lei emuma direção restritiva. ↩
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A siderúrgica Ilva é uma fábrica que emprega 12,000 pessoas e dá vida para a economia em depressão de Apulia. Ela é há muito tempo acusada de matar a população local por expelir no ar uma mistura de substâncias carcinogênicas. Um magistrado, em Agosto de 2011, ordenou o fechamento de sua fornalha mais poluente. Os sindicatos entraram em grevepara protestar contra a decisão, sugerindo uma agenda baseada na limpeza ambiental e na modernização da fábrica. ↩
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Faixas e panfletos disponíveis em www.facebook.com/pages/Sindacato-BLU, acessado em 7 de Dezembro de 2012. ↩
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Entrevistas n. 5a e 5b realizadas pelos autores em 28 de Junho de 2012. ↩
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“Ferma Equitalia, Firma la legge!” disponível em http://www.fermaequitalia.org/, acessado em 7 de Dezembro de 2012. ↩
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A lista de protestos é razoavelmente longa e envolve todo o território italiano, de norte ao sul. Recentemente a CasaPound fez uma manifestação contra a Equitalia e as medidas de austeridade em Roma, em 24/12/2012. Aobservação como participante dos autores confirma que o "Ferma Equitalia" foi realizado como uma grande faixa queformava um bloco da marcha junto com 6000 manifestantes, de acordo com a DIGOS, a polícia política de Roma. ↩
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Entrevista n.3a realizada pelos autores em 1 de Junho de 2012. ↩
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“Ferma Equitalia, Firma la legge!La propaganda” disponível em http://www.fermaequitalia.org/propaganda.htm , acessado em 7 de Dezembro de 2012. ↩
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“Il Mutuo Sociale. La proposta”, disponível em http://www.mutuosociale.org, acessado em 7 de Dezembro de 2012. ↩
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“Campagna per il Mutuo Sociale. Documenti”, disponível em www.mutuosociale.org, acessado em 7 de Dezembro de 2012. ↩
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“Ferma Equitalia, Firma la legge! La propaganda” disponível em http://www.fermaequitalia.org/propaganda.htm , acessado em 7 de Dezembro de 07. ↩
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Bordões gravados durante a observação pela participação dos autores na manifestação nacional da CasaPound contra o governo técnico e a crise (Dia do Não ao Monti) em Roma, 11 de Novembro de 2012. ↩